Quem se manifesta no Brasil?
Um levantamento realizado pela Agência Pública revelou o perfil dos manifestantes que participaram de protestos no Brasil entre 2013 e 2022. Os manifestantes favoráveis ao impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff em 2015 e 2016 eram predominantemente homens brancos, com ensino superior completo e renda familiar de cinco a dez salários mínimos. Já em manifestações contrárias ao impeachment, o perfil preponderante era de homens negros, com ensino fundamental completo e renda familiar de até dois salários mínimos. Nas manifestações pró-impeachment e favoráveis ao ex-presidente Jair Bolsonaro, houve maior presença de homens brancos, cristãos e com renda alta, enquanto nos atos contrários ao impeachment e contra Bolsonaro, organizados por campos à esquerda, houve maior participação feminina e de pessoas sem religião. As manifestações do movimento secundarista em 2015 contaram com a participação majoritária de jovens, com renda familiar de até dois salários mínimos, e foram apoiadas por movimentos tradicionalmente identificados com a esquerda. A pesquisa não abordou os perfis dos manifestantes de protestos mais recentes, como os relacionados ao movimento Vidas Negras Importam e ao #EleNão, contra Bolsonaro.
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Nos últimos anos, o cenário político brasileiro tem sido marcado por manifestações nas ruas, protagonizadas tanto pela extrema direita quanto pela esquerda. Enquanto a primeira tenta se pintar como um movimento popular, alegando representar os interesses do povo, a esquerda busca encontrar sua vanguarda para fortalecer suas demandas. Nesta matéria, analisaremos os perfis e objetivos desses movimentos, destacando suas características e desafios.
Muitos membros da extrema direita têm se mobilizado e participado de protestos públicos, buscando se apresentar como um movimento popular e identificado com as demandas da sociedade. No entanto, críticos argumentam que a mera participação nas manifestações não é suficiente para atender às necessidades reais do povo. Eles apontam que esses manifestantes, em sua maioria, são pequeno-burgueses, pertencentes à classe média, que defendem os interesses do capital financeiro. Alega-se que a extrema direita muitas vezes negligencia as demandas sociais e econômicas mais amplas, focando em uma agenda conservadora e individualista.
Por outro lado, a esquerda tem buscado encontrar sua vanguarda, um grupo de líderes capazes de articular e promover suas pautas de maneira efetiva. Embora a esquerda conte com uma base ampla de apoiadores e militantes, ainda enfrenta desafios na criação de uma liderança forte e unificada. Alguns analistas argumentam que a falta de uma vanguarda consolidada tem dificultado a capacidade da esquerda de traduzir suas propostas em políticas concretas e de alcançar um maior impacto na sociedade. No entanto, ressalta-se que a esquerda está em constante movimento e busca se reorganizar, encontrando novas formas de articulação política.
As manifestações nas ruas têm sido um palco importante para a expressão política tanto da extrema direita quanto da esquerda. Enquanto a primeira busca se apresentar como um movimento popular, alegando defender os interesses do povo, críticos argumentam que a extrema direita muitas vezes se limita à defesa do capital financeiro, negligenciando demandas sociais mais amplas. Já a esquerda enfrenta o desafio de encontrar uma vanguarda capaz de articular suas propostas
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