Israel se reafirma como estado colonial na Cisjordânia



Israel se reafirma como estado colonial na Cisjordânia





Forças israelenses realizaram um grande ataque na cidade de Jenin, na Cisjordânia, utilizando drones e centenas de soldados terrestres, resultando na morte de oito pessoas. Esse é o maior ataque israelense na região em quase 20 anos e foi uma resposta a uma série de ataques de militantes palestinos a colonos judeus na área. O governo de Israel alega ter atacado alvos criminosos no campo de refugiados de Jenin, que abriga cerca de 14 mil pessoas. O campo é também a base de grupos militantes, incluindo Hamas, Jihad Islâmica e Fatah, segundo o governo israelense. A operação começou com um ataque aéreo a um prédio usado para planejar atentados, seguido por drones sobrevoando o campo de refugiados. Novos ataques aéreos ocorreram posteriormente, resultando em feridos. Enquanto isso, em Israel, manifestantes invadiram o aeroporto de Tel Aviv em protesto contra uma reforma judicial proposta pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, que limitaria os poderes do Judiciário. Esses protestos ocorrem há meses e não houve relatos de feridos. Esses eventos se somam a uma onda de violência na região, que incluiu um confronto anterior na Cisjordânia em junho, resultando na morte de cinco palestinos e várias pessoas feridas. 

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A ascensão da extrema direita na Europa trouxe consigo um dilema paradoxal. Embora historicamente associados ao antissemitismo, esses partidos têm adotado uma postura inesperada em relação ao sionismo, tornando-se seus defensores. Este artigo discutirá a transformação ideológica da extrema direita europeia, que busca renovar sua imagem e conquistar terreno político, substituindo o ódio aos judeus por novas formas de xenofobia e racismo. Exploraremos as motivações por trás desse apoio entusiasmado ao sionismo e questionaremos a viabilidade e a ética dessa estratégia política.

A extrema direita na Europa sempre foi marcada por um histórico vergonhoso de antissemitismo. No entanto, em sua tentativa de se tornar mais aceitável socialmente e atrair eleitores, esses partidos passaram a abraçar o sionismo de maneira enfática. Líderes como Marine Le Pen na França, Geert Wilders na Holanda e Viktor Orbán na Hungria, ao lado de outros, agora se posicionam abertamente ao lado de Israel. Esse apoio fervoroso ao sionismo se tornou um princípio ideológico central para muitos desses partidos, algo impensável há algumas décadas.

O apoio paradoxal da extrema direita ao sionismo pode ser atribuído a várias razões. Em primeiro lugar, a defesa de Israel serve como uma forma de tornar o populismo de direita socialmente aceitável novamente. Partidos como a AfD na Alemanha e o Rally Nacional (antigo Frente Nacional) na França têm buscado se distanciar de seus passados antissemitas, estabelecendo relações com Israel e a comunidade judaica local.

Além disso, Israel é visto como um modelo para uma Europa que luta para encontrar consenso sobre questões de fronteiras e identidade nacional. Como um estado étnico nacionalista, Israel representa uma visão de preservação da herança judaico-cristã que muitos da extrema direita europeia apoiam fervorosamente. Para eles, Israel é um exemplo de nação unificada em torno de uma única fé, algo que a Europa busca em meio à sua diversidade étnica e cultural.

Uma outra motivação para o apoio ao sionismo por parte da extrema direita europeia é a visão de Israel como um baluarte militarizado contra o islamismo. Essa visão é alimentada pela retórica islamofóbica presente nesses partidos, que retratam tanto Israel quanto a Europa como ameaçados por uma invasão muçulmana. Ao apresentar o sionismo como um aliado na luta contra o islamismo, esses partidos buscam conquistar o apoio da população judaica ao mesmo tempo em que propagam seu discurso islamofóbico.

Embora a extrema direita europeia busque se associar ao sionismo como uma estratégia política, é importante questionar a genuinidade dessa transformação ideológica. A instrumentalização do sionismo por esses partidos levanta preocupações éticas, uma vez que eles tentam encobrir seu histórico de retórica antissemita. Ao mesmo tempo, líderes ultranacionalistas de Israel, como Naftali Bennett, têm buscado alianças com políticos abertamente antissemitas e nazistas na Europa, colocando em dúvida a sinceridade desse apoio.

O apoio paradoxal da extrema direita europeia ao sionismo revela uma estratégia política questionável, na qual a instrumentalização de Israel serve para desviar a atenção do racismo e da islamofobia presentes nesses partidos. É essencial que tanto judeus quanto não judeus critiquem severamente essa nova extrema direita ideológica da Europa e estejam atentos ao perigo do antissemitismo que ainda persiste nesses movimentos políticos. É necessário promover um debate ético e aprofundado sobre essa transformação ideológica e suas implicações para a política europeia e a luta contra o racismo e a discriminação.

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