O livro "O Nevoeiro" é uma história de suspense sobre um estranho nevoeiro que surge na cidade de Brindgton após uma tempestade. A narrativa é contada por David, um artista local que está escrevendo sua história apenas quatro dias depois de tudo começar. David, seu filho Billy e o vizinho Norton estavam esperando na fila do supermercado quando a névoa começa a engolir a paisagem externa. Conforme a névoa se aproxima, as pessoas descobrem que estão lidando com algo perigoso e aterrorizante. Ao longo do livro, os personagens enfrentam conflitos gerados pelo instinto de sobrevivência, mas David só quer manter o filho vivo e escapar com segurança. O livro é uma ótima história de suspense, com uma atmosfera que prende o leitor até o final, mas deixa as perguntas sobre todo o evento no ar. O livro foi adaptado para duas produções audiovisuais, um filme de 2007 e uma série na Netflix de 2017, ambos com o título "O Nevoeiro".
Stephen King no livro talvez tenha criado uma crítica à metafísica filosófica, especialmente à religião, intensionalmente ou não, pois a névoa representa o fato material ou concreto e as ações dos personagens são guiadas por irracionalismo e certezas metafísicas que não são reais. A abordagem de King pode ser vista como uma reflexão sobre a ideia de verdade e realidade de Marx e Lênin, que argumentam que a verdade é o que é material e concreto, e que a metafísica e as certezas irracionais são ilusórias e não correspondem à realidade.
Na obra "A Névoa" de Stephen King, a névoa representa a realidade material e concreta, enquanto as crenças metafísicas e irracionais dos personagens são retratadas como faltando qualquer base na realidade. A situação gerada pela névoa é uma ameaça concreta e tangível aos personagens, enquanto suas crenças e ações baseadas em suposições e superstições são mostradas como sendo ineficazes para lidar com essa ameaça. Isso pode ser visto como uma crítica à tendência humana de recorrer a explicações metafísicas e religiosas para questões que não podem ser compreendidas completamente, e de se aferrar a essas crenças, mesmo quando são contraditadas pela realidade.
Aqui lembraremos de Crítica a Ludwig Feuerbach por sua abordagem filosófica, que Marx acredita ser inadequada para compreender a realidade social. Feuerbach era um filósofo alemão do século XIX que argumentou que as crenças religiosas são projeções humanas de suas próprias necessidades e desejos. Embora Marx concorde com o argumento de Feuerbach de que as religiões são criações humanas, ele critica a idéia de que isso é o suficiente para compreender a realidade social. Para Marx, as relações econômicas são o verdadeiro motor da história, e a religião é apenas um reflexo disso. Em outras palavras a metafisica é uma percepção invertida do mundo concreto.
Além da abordagem de Marx e Lênin, a obra "A Névoa" de Stephen King pode ser interpretada a partir das ideias do filósofo francês Alain Badiou. Badiou argumenta que a verdade é algo que surge a partir de eventos contingêntes e imprevisíveis, e que esses eventos são independentes de qualquer tipo de certeza ou verdade preexistente. Na obra de King, a névoa pode ser vista como um evento contingente que desafia as certezas e crenças dos personagens, e que exige uma resposta criativa e original.
V. I. Lenin critica a teoria do conhecimento de Ernst Mach em seu livro "Materialismo e Empiro-Criticismo". Segundo Lenin, Mach confunde o estudo histórico e psicológico dos erros humanos com a discriminação gnoseológica da verdade e do absurdo. Lenin argumenta que Marx e Engels basearam a teoria materialista do conhecimento no critério da prática, e que colocar a questão da "correspondência da verdade objetiva em relação ao pensamento humano" fora da prática é cair na escolástica. Mach afirma que não há distinção entre aparência e realidade, mas Lenin sustenta que essa visão é insuficiente e que é preciso distinguir o verdadeiro e o absurdo. Ou seja, a verdade se revela em relação a prática, e não a ideias pré concebidas, pré moduladas, metafisica, a verdade só é adiquirida pela prática, e a prática é experiência e reflexão. E a verdade muda, pois tudo muda, tudo existe em movimento contraditório.
A reação dos personagens à névoa pode ser interpretada como uma representação da falta de respostas claras e definitivas para questões metafísicas, e do medo e do desespero que resultam da incerteza. De acordo com Badiou, a verdade surge a partir da ação corajosa e comprometida dos indivíduos que se aventuram a enfrentar a incerteza e a responder ao evento contingente de maneira criativa. Na obra de King, alguns personagens escolhem enfrentar a névoa de maneira corajosa e criativa, enquanto outros se aferram a certezas irracionais e falham em lidar com a situação.
Assim, a Névoa de Stephen King pode ser vista como uma crítica à metafísica filosófica e religiosa, e como uma reflexão sobre as ideias de verdade e realidade de Marx e Lênin, e as teorias da verdade de Badiou. Ao apresentar a névoa como um evento contingente que desafia as certezas dos personagens, e ao retratar as reações deles a essa situação, a obra sugere que a verdade só pode ser alcançada através da ação corajosa e comprometida dos indivíduos
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