A Reforma do Ensino Médio: O Ensino Vazio

 A Reforma do Ensino Médio: O Ensino Vazio

A reforma educacional não é consenso entre os educadores. Especialmente do ponto de vista da pedagogia histórico crítica, como proposta por Dermeval Saviani, a reforma pode ser criticada por várias razões.

Por exemplo, o currículo flexível pode ser visto como uma forma de fragmentação do conhecimento, dificultando a compreensão das relações entre as diferentes áreas de conhecimento. Além disso, a valorização das competências e habilidades em detrimento do conhecimento teórico pode levar a uma formação mais superficial e limitada, sem as bases sólidas que permitem a compreensão crítica dos fenômenos sociais.

Outra crítica de Saviani é em relação à tecnologia educacional. Embora o uso de recursos digitais possa ser uma importante ferramenta para a aprendizagem, ele alerta que é preciso ter cuidado para que o ensino não se torne excessivamente tecnológico, em detrimento do diálogo e da reflexão crítica.

A proposta de projeto de vida também pode ser vista com ressalvas. Embora seja importante incentivar os alunos a pensar em seus objetivos pessoais e profissionais, é preciso garantir que essa reflexão esteja integrada a um projeto mais amplo de transformação social, que leve em conta as condições socioeconômicas e históricas em que os indivíduos estão inseridos.

Por fim, embora as metodologias ativas sejam uma importante forma de colocar o aluno no centro do processo de aprendizagem, é preciso garantir que elas estejam baseadas em uma sólida fundamentação teórica e metodológica, que permita uma reflexão crítica e aprofundada sobre os temas estudados.

Dermeval Saviani é um educador brasileiro que desenvolveu a teoria da pedagogia histórico-crítica, que parte do pressuposto de que o ensino deve estar baseado na compreensão crítica da realidade, visando a formação de sujeitos capazes de atuar de forma consciente e transformadora na sociedade. Para Saviani, o currículo escolar é uma ferramenta fundamental para a concretização desse objetivo, uma vez que é por meio dele que se dá a mediação entre a cultura elaborada e a cultura vivida.

Para Saviani, o currículo deve estar estruturado de forma a permitir que os estudantes compreendam as relações sociais e históricas em que estão inseridos, de modo a poderem atuar de forma consciente e transformadora na realidade. O currículo deve ser estruturado em torno de uma matriz que articule diferentes áreas de conhecimento, permitindo que os estudantes possam compreender a realidade de forma integral e crítica.

Já o "Novo Ensino Médio" se apresenta como uma reforma educacional que busca oferecer mais flexibilidade e personalização aos estudantes, permitindo que estes possam escolher as áreas de conhecimento em que desejam aprofundar seus estudos. No entanto, para Saviani, essa abordagem é frontalmente oposta ao que ele propõe, uma vez que o currículo flexível pode levar a uma fragmentação do conhecimento, dificultando a compreensão das relações entre as diferentes áreas de conhecimento. Além disso, a ênfase nas competências e habilidades em detrimento do conhecimento teórico pode levar a uma formação mais superficial e limitada, sem as bases sólidas que permitem a compreensão crítica dos fenômenos sociais.

Saviani também critica a valorização do projeto de vida individual em detrimento do projeto de transformação social, argumentando que é preciso que os estudantes compreendam as relações sociais e históricas em que estão inseridos, de modo a poderem atuar de forma consciente e transformadora na realidade. Por fim, a utilização excessiva de tecnologias educacionais pode levar a uma formação excessivamente tecnicista, em detrimento da reflexão crítica e da construção do conhecimento.

Em suma, para Saviani, o currículo escolar é uma ferramenta fundamental para a formação crítica e transformadora dos estudantes, e deve estar baseado em uma matriz que articule diferentes áreas de conhecimento, permitindo que os estudantes possam compreender a realidade de forma integral e crítica. Já o "Novo Ensino Médio" é criticado por sua abordagem flexível e fragmentada, que pode levar a uma formação superficial e limitada, sem as bases sólidas que permitem a compreensão crítica dos fenômenos sociais.


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